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  • Stefano Giorgi

Diário de Criação #1


(trilha ideal para o post - aperta o Play e boa leitura)


Eu vou enlouquecer. Esse é o maior desfecho que se passa na minha cabeça quando penso nessa história de ter aberto minha própria empresa. Existem outros desfechos também. Me vejo rico, viajando o mundo ao lado da minha namorada. Me vejo quebrado, sem dinheiro para fazer compras no supermercado. Me vejo largando tudo e voltando para a estabilidade de um emprego fixo. Me vejo morando fora e expandindo minha ideia na Europa. Me vejo de tantos jeitos diferentes que seria quase impossível escrevê-los todos aqui. Entretanto, a maior imagem que tenho de mim mesmo em um futuro (ás vezes próximo, outras vezes distante) é a de um Stefano amarrado em uma camisa de força, babando em uma sala branca acolchoada. E, o pior de tudo, só faz uma semana que abri o Salve Giorgi, meu coletivo criativo.


Eu não chamo o Salve Giorgi de agência porque quero me distanciar do modelo operacional tradicional da grande maioria das agências. Sabe, aquele modelo escrotasso com o monte de peão sendo esfolado para ganhar um salário muito distante ao que os níveis mais altos da hierarquia, cômodos, ganham?! Então, a ideia é fugir disso trabalhando em um modelo flexível, sem escritório e sem funcionários fixos, reduzindo custos para oferecer um serviço de qualidade que pequenas e médias empresas possam pagar por uma remuneração justa para os envolvidos em cada projeto, sempre respeitando os limites da vida profissional e pessoal de cada um. E, quando digo remuneração justa, a ideia é oferecer uma divisão dos lucros de cada trampo. Por enquanto é uma visão utópica de um futuro semi-tangível para a vida publicitária que, na atualidade, é uma merda. É uma tentativa de introduzir traços da economia colaborativa dentro de um modelo de negócios para suprir uma demanda bem comum tanto de empresas quanto de pessoas: comunicação. Sendo assim, o Salve Giorgi oferece o mesmo serviço de uma agência de comunicação, mas em um modelo operacional diferente – e por isso resolvi chamá-lo de coletivo criativo e não de agência de publicidade.


Apesar de utópico, o sucesso de uma empreitada como o Salve Giorgi é algo tangível. Ou melhor, semi-tangível, como descrevi anteriormente. O modelo tem grandes chances de dar certo, mas não por completo. Sei que pelo caminho terei que fazer ajustes e mudanças abdicando de alguns pontos da ideia inicial para beneficiar outros. Mas, agora, não faço ideia de quais são esses pontos. É como escrever um livro. Uma boa narrativa começa com uma pergunta filosófica que o próprio autor faz a si mesmo. Ele não sabe onde vai chegar no começo do livro. Mas sabe que chegou lá no final. A minha pergunta filosófica é: dá para ser publicitário e fugir do modelo de agência tradicional? Não sei onde vou chegar com essa questão. Só espero que não seja em uma camisa de força.

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Apesar do meu propósito ser um modelo de trabalho publicitário mais sustentável, minha rotina atual está bem longe disso. Dar o pontapé inicial ao Salve Giorgi tem sido uma tarefa equiparável ao trabalho hercúleo de matar a Hidra de Lerna – ao finalizar uma demanda, surgem mais duas para me devorar.


Infelizmente me falta a força de Hércules para resolver meus problemas. Entretanto, acho que Hércules não se daria tão bem no mundo publicitário. Ele não conseguiria levantar o perfil de Instagram de um cliente simplesmente na braceta. Quiçá escrever um post para blog na porrada. Sendo assim, venho cortando cabeça por cabeça da Hidra das minhas demandas usando minha experiência no mercado. Lancei o site e as redes sociais do Salve Giorgi, estou cuidando de dois clientes, tenho mais quatro em prospecção e começo a formar equipes. O que me mantém na luta é o pensamento que em breve tudo estabiliza e eu volto a respirar de novo. Ou é isso, ou eu enlouqueço. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos...

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